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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

Quem somos quando ninguém está a ver

Há uma versão de nós que quase ninguém conhece.

Não porque a escondamos deliberadamente, mas porque só existe quando estamos sozinhos.

Quando ninguém está a ver, deixamos cair expectativas. Não precisamos de corresponder, de explicar, de ajustar comportamentos. Ficamos apenas com aquilo que somos, sem filtros, sem construções.

Mas será que sabemos quem somos nesse estado?

Passamos grande parte da vida a adaptar-nos. Ao contexto, às pessoas, às situações. Aprendemos a ajustar a forma como falamos, como reagimos, como nos mostramos. E isso é natural. Faz parte de viver em sociedade.

O problema surge quando nos afastamos demasiado de nós próprios.

Quando já não sabemos distinguir entre aquilo que somos e aquilo que mostramos. Quando a versão pública começa a sobrepor-se à versão real. Quando o silêncio se torna desconfortável porque nos obriga a confrontar essa diferença.

Estar sozinho pode ser difícil por esse motivo. Porque não há distrações. Não há personagens. Apenas nós.

E nem sempre gostamos do que encontramos.

Mas é nesse espaço que começa o verdadeiro autoconhecimento. Não no que mostramos ao mundo, mas no que permanece quando tudo o resto desaparece. Nos pensamentos que temos, nas emoções que surgem, nas perguntas que evitamos.

Conhecer essa versão de nós exige tempo e coragem. Coragem para aceitar imperfeições, incoerências, dúvidas. Coragem para não fugir.

Porque, no fundo, não somos apenas aquilo que os outros veem.

Somos também — e talvez sobretudo — aquilo que somos quando ninguém está a ver.

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