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Apresentados

Porque pensamos demais (e como isso nos afasta de nós próprios)

Pensar é natural. Aliás, é uma das coisas que nos torna humanos. Mas há uma diferença subtil entre pensar e pensar demais, e essa diferença muda tudo. Quando pensamos em excesso, deixamos de procurar respostas e começamos a criar problemas onde antes existia apenas silêncio. O overthinking não surge do nada. Normalmente aparece quando tentamos controlar aquilo que não conseguimos, quando revivemos situações passadas ou antecipamos cenários que ainda nem aconteceram. A mente entra num ciclo constante, como se estivesse sempre à procura de uma solução perfeita que nunca chega. Com o tempo, esse hábito cansa. Não o corpo, mas a mente. Ficamos presos em pensamentos repetitivos, analisamos cada detalhe, cada palavra, cada decisão. E quanto mais pensamos, mais nos afastamos do presente. É como se estivéssemos sempre em algum lugar que não é o agora. Segundo o conceito de overthinking , este padrão de pensamento excessivo pode estar associado à ansiedade e à dificuldade em lidar com a ince...

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados.

Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue.

E isso levanta uma questão interessante:

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso.

Mas, por vezes, há algo mais.

Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida.

A leitura é um encontro.

Entre o livro e o leitor.

E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior.

Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida.

O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essencial.

E o contrário também é verdade.

Há livros que deixamos a meio porque nos confrontam. Porque tocam em temas que evitamos. Porque despertam emoções que preferíamos não sentir.

E, nesses casos, abandonar o livro pode ser uma forma de proteção.

Nem sempre consciente.

Mas real.

Por outro lado, há também livros que simplesmente não nos dizem nada. E isso faz parte. Nem todas as histórias são para nós. Nem todos os autores nos tocam. Nem todas as leituras têm de ser levadas até ao fim.

E talvez seja importante aceitar isso sem culpa.

Durante muito tempo, criou-se a ideia de que abandonar um livro era quase um fracasso. Como se fosse obrigatório terminar tudo o que começamos.

Mas a leitura não deve ser uma obrigação.

Deve ser um espaço de descoberta.

E, nesse espaço, também existe lugar para parar.

Para escolher outro caminho. Outro livro. Outra história.

No entanto, olhar para os livros que não terminamos pode ser interessante.

Pode revelar padrões. Pode mostrar preferências. Pode até indicar fases da nossa vida.

Porque, tal como nós mudamos, também muda a forma como lemos.

E talvez esses livros inacabados não sejam apenas histórias interrompidas.

Talvez sejam reflexos de momentos em que ainda não estávamos prontos para continuar.

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