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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

O problema não é sentir — é não saber onde colocar o que sentimos

O problema nunca foi sentir.

O problema é não saber onde colocar o que sentimos.

As emoções surgem sem pedir autorização. Aparecem, instalam-se, ocupam espaço. Algumas são leves, fáceis de lidar. Outras são densas, difíceis de compreender, quase impossíveis de ignorar.

E é aí que começa o desafio.

Não fomos ensinados a lidar com emoções. Fomos ensinados a controlá-las, a escondê-las, a seguir em frente como se nada fosse. Mas aquilo que sentimos não desaparece só porque decidimos ignorar.

Fica.

Acumula-se.

E, com o tempo, transforma-se.

O problema não é sentir tristeza, ansiedade, medo ou confusão. O problema é não ter um lugar para colocar essas emoções. Não ter um espaço onde possam existir sem julgamento.

Quando não sabemos o que fazer com o que sentimos, tentamos afastar. Distraímo-nos, ocupamo-nos, evitamos. Mas isso é apenas uma solução temporária. Porque mais cedo ou mais tarde, tudo volta.

Precisamos de espaços seguros.
Espaços onde possamos ser honestos. Onde possamos sentir sem medo.

A escrita é um desses espaços.

Quando escrevemos, criamos um lugar para as emoções existirem. Não precisamos de as resolver imediatamente. Apenas de as reconhecer. De as deixar sair. De lhes dar forma.

Escrever não elimina o que sentimos, mas organiza. Dá estrutura ao que antes era apenas peso. Permite-nos compreender melhor aquilo que estamos a viver.

E, muitas vezes, isso já é suficiente para aliviar.

O problema não é sentir.
É carregar tudo sozinho, sem saber para onde ir com isso.

E talvez seja por isso que precisamos tanto de palavras.

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