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Apresentados

Porque pensamos demais (e como isso nos afasta de nós próprios)

Pensar é natural. Aliás, é uma das coisas que nos torna humanos. Mas há uma diferença subtil entre pensar e pensar demais, e essa diferença muda tudo. Quando pensamos em excesso, deixamos de procurar respostas e começamos a criar problemas onde antes existia apenas silêncio. O overthinking não surge do nada. Normalmente aparece quando tentamos controlar aquilo que não conseguimos, quando revivemos situações passadas ou antecipamos cenários que ainda nem aconteceram. A mente entra num ciclo constante, como se estivesse sempre à procura de uma solução perfeita que nunca chega. Com o tempo, esse hábito cansa. Não o corpo, mas a mente. Ficamos presos em pensamentos repetitivos, analisamos cada detalhe, cada palavra, cada decisão. E quanto mais pensamos, mais nos afastamos do presente. É como se estivéssemos sempre em algum lugar que não é o agora. Segundo o conceito de overthinking , este padrão de pensamento excessivo pode estar associado à ansiedade e à dificuldade em lidar com a ince...

O problema não é sentir — é não saber onde colocar o que sentimos

O problema nunca foi sentir.

O problema é não saber onde colocar o que sentimos.

As emoções surgem sem pedir autorização. Aparecem, instalam-se, ocupam espaço. Algumas são leves, fáceis de lidar. Outras são densas, difíceis de compreender, quase impossíveis de ignorar.

E é aí que começa o desafio.

Não fomos ensinados a lidar com emoções. Fomos ensinados a controlá-las, a escondê-las, a seguir em frente como se nada fosse. Mas aquilo que sentimos não desaparece só porque decidimos ignorar.

Fica.

Acumula-se.

E, com o tempo, transforma-se.

O problema não é sentir tristeza, ansiedade, medo ou confusão. O problema é não ter um lugar para colocar essas emoções. Não ter um espaço onde possam existir sem julgamento.

Quando não sabemos o que fazer com o que sentimos, tentamos afastar. Distraímo-nos, ocupamo-nos, evitamos. Mas isso é apenas uma solução temporária. Porque mais cedo ou mais tarde, tudo volta.

Precisamos de espaços seguros.
Espaços onde possamos ser honestos. Onde possamos sentir sem medo.

A escrita é um desses espaços.

Quando escrevemos, criamos um lugar para as emoções existirem. Não precisamos de as resolver imediatamente. Apenas de as reconhecer. De as deixar sair. De lhes dar forma.

Escrever não elimina o que sentimos, mas organiza. Dá estrutura ao que antes era apenas peso. Permite-nos compreender melhor aquilo que estamos a viver.

E, muitas vezes, isso já é suficiente para aliviar.

O problema não é sentir.
É carregar tudo sozinho, sem saber para onde ir com isso.

E talvez seja por isso que precisamos tanto de palavras.

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