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Apresentados

Porque pensamos demais (e como isso nos afasta de nós próprios)

Pensar é natural. Aliás, é uma das coisas que nos torna humanos. Mas há uma diferença subtil entre pensar e pensar demais, e essa diferença muda tudo. Quando pensamos em excesso, deixamos de procurar respostas e começamos a criar problemas onde antes existia apenas silêncio. O overthinking não surge do nada. Normalmente aparece quando tentamos controlar aquilo que não conseguimos, quando revivemos situações passadas ou antecipamos cenários que ainda nem aconteceram. A mente entra num ciclo constante, como se estivesse sempre à procura de uma solução perfeita que nunca chega. Com o tempo, esse hábito cansa. Não o corpo, mas a mente. Ficamos presos em pensamentos repetitivos, analisamos cada detalhe, cada palavra, cada decisão. E quanto mais pensamos, mais nos afastamos do presente. É como se estivéssemos sempre em algum lugar que não é o agora. Segundo o conceito de overthinking , este padrão de pensamento excessivo pode estar associado à ansiedade e à dificuldade em lidar com a ince...

Estamos viciados em distração?

Nunca tivemos tanto acesso à informação — e nunca estivemos tão distraídos.

Saltamos de aplicação em aplicação, de vídeo em vídeo, de pensamento em pensamento. Tudo é rápido, imediato, constante. Não há pausas. Não há silêncio. E, talvez por isso, já nem sabemos estar connosco próprios.

A distração tornou-se um hábito.

Começa de forma inocente. Um momento de descanso, uma pausa curta. Mas rapidamente se transforma num ciclo contínuo. Sempre que surge um momento de vazio, preenchemo-lo. Sempre que aparece silêncio, interrompemo-lo.

Mas o que estamos realmente a evitar?

A distração não é apenas entretenimento. Muitas vezes é fuga. Fuga ao pensamento, às emoções, ao desconforto de estar presente. Enquanto estamos distraídos, não precisamos de sentir profundamente nem de refletir.

O problema é que, ao evitar esse contacto, afastamo-nos de nós próprios.

A mente habitua-se ao estímulo constante. E, quando ele desaparece, surge inquietação. O silêncio passa a incomodar. Pensar torna-se difícil. Estar presente torna-se raro.

Talvez não estejamos apenas ocupados.

Talvez estejamos viciados em não parar.

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