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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

Estamos viciados em distração?

Nunca tivemos tanto acesso à informação — e nunca estivemos tão distraídos.

Saltamos de aplicação em aplicação, de vídeo em vídeo, de pensamento em pensamento. Tudo é rápido, imediato, constante. Não há pausas. Não há silêncio. E, talvez por isso, já nem sabemos estar connosco próprios.

A distração tornou-se um hábito.

Começa de forma inocente. Um momento de descanso, uma pausa curta. Mas rapidamente se transforma num ciclo contínuo. Sempre que surge um momento de vazio, preenchemo-lo. Sempre que aparece silêncio, interrompemo-lo.

Mas o que estamos realmente a evitar?

A distração não é apenas entretenimento. Muitas vezes é fuga. Fuga ao pensamento, às emoções, ao desconforto de estar presente. Enquanto estamos distraídos, não precisamos de sentir profundamente nem de refletir.

O problema é que, ao evitar esse contacto, afastamo-nos de nós próprios.

A mente habitua-se ao estímulo constante. E, quando ele desaparece, surge inquietação. O silêncio passa a incomodar. Pensar torna-se difícil. Estar presente torna-se raro.

Talvez não estejamos apenas ocupados.

Talvez estejamos viciados em não parar.

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