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Apresentados

O impacto do telemóvel no silêncio interior

O silêncio tornou-se raro. Não porque o mundo seja mais ruidoso, mas porque já não o permitimos. Sempre que surge um momento de pausa, recorremos ao telemóvel. Preenchemos o vazio antes que ele exista. O problema é que o silêncio não é vazio. É no silêncio que pensamos. Que sentimos. Que organizamos o que está dentro de nós. Mas, ao evitá-lo constantemente, perdemos esse espaço interior. O telemóvel tornou-se uma extensão da nossa atenção. Sempre disponível, sempre presente, sempre pronto a ocupar qualquer intervalo. E, aos poucos, deixamos de saber estar sem ele. Mas o custo disso é alto. Perdemos momentos de reflexão. Perdemos contacto connosco. Perdemos a capacidade de simplesmente estar. Talvez não precisemos de eliminar o ruído. Talvez precisemos apenas de reaprender o silêncio.

Estamos viciados em distração?

Nunca tivemos tanto acesso à informação — e nunca estivemos tão distraídos.

Saltamos de aplicação em aplicação, de vídeo em vídeo, de pensamento em pensamento. Tudo é rápido, imediato, constante. Não há pausas. Não há silêncio. E, talvez por isso, já nem sabemos estar connosco próprios.

A distração tornou-se um hábito.

Começa de forma inocente. Um momento de descanso, uma pausa curta. Mas rapidamente se transforma num ciclo contínuo. Sempre que surge um momento de vazio, preenchemo-lo. Sempre que aparece silêncio, interrompemo-lo.

Mas o que estamos realmente a evitar?

A distração não é apenas entretenimento. Muitas vezes é fuga. Fuga ao pensamento, às emoções, ao desconforto de estar presente. Enquanto estamos distraídos, não precisamos de sentir profundamente nem de refletir.

O problema é que, ao evitar esse contacto, afastamo-nos de nós próprios.

A mente habitua-se ao estímulo constante. E, quando ele desaparece, surge inquietação. O silêncio passa a incomodar. Pensar torna-se difícil. Estar presente torna-se raro.

Talvez não estejamos apenas ocupados.

Talvez estejamos viciados em não parar.

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