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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

Comparação constante: o preço de ver a vida dos outros

Nunca foi tão fácil ver a vida dos outros.

E nunca foi tão difícil aceitar a nossa.

A comparação tornou-se automática. Não precisa de esforço. Surge naturalmente, à medida que deslizamos o dedo pelo ecrã. Vemos conquistas, viagens, momentos felizes — e, sem perceber, começamos a medir a nossa vida com base nisso.

Mas estamos a comparar realidades diferentes.

Vemos fragmentos editados da vida dos outros e comparamos com a totalidade da nossa. Vemos momentos altos e confrontamo-los com dias comuns. E isso cria uma perceção distorcida.

A comparação constante desgasta.

Faz-nos sentir atrasados, insuficientes, incompletos. Mesmo quando estamos a fazer o nosso caminho, ao nosso ritmo, começamos a duvidar.

O problema não está em olhar para os outros.
Está em esquecer-nos de olhar para nós.

Cada vida tem o seu tempo. O seu contexto. As suas dificuldades invisíveis. Mas isso raramente aparece.

E, no meio de tantas referências externas, perdemos a ligação com a nossa própria realidade.

Talvez o verdadeiro desafio seja este:
viver sem transformar a vida numa comparação permanente.

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