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Apresentados

O impacto do telemóvel no silêncio interior

O silêncio tornou-se raro. Não porque o mundo seja mais ruidoso, mas porque já não o permitimos. Sempre que surge um momento de pausa, recorremos ao telemóvel. Preenchemos o vazio antes que ele exista. O problema é que o silêncio não é vazio. É no silêncio que pensamos. Que sentimos. Que organizamos o que está dentro de nós. Mas, ao evitá-lo constantemente, perdemos esse espaço interior. O telemóvel tornou-se uma extensão da nossa atenção. Sempre disponível, sempre presente, sempre pronto a ocupar qualquer intervalo. E, aos poucos, deixamos de saber estar sem ele. Mas o custo disso é alto. Perdemos momentos de reflexão. Perdemos contacto connosco. Perdemos a capacidade de simplesmente estar. Talvez não precisemos de eliminar o ruído. Talvez precisemos apenas de reaprender o silêncio.

Comparação constante: o preço de ver a vida dos outros

Nunca foi tão fácil ver a vida dos outros.

E nunca foi tão difícil aceitar a nossa.

A comparação tornou-se automática. Não precisa de esforço. Surge naturalmente, à medida que deslizamos o dedo pelo ecrã. Vemos conquistas, viagens, momentos felizes — e, sem perceber, começamos a medir a nossa vida com base nisso.

Mas estamos a comparar realidades diferentes.

Vemos fragmentos editados da vida dos outros e comparamos com a totalidade da nossa. Vemos momentos altos e confrontamo-los com dias comuns. E isso cria uma perceção distorcida.

A comparação constante desgasta.

Faz-nos sentir atrasados, insuficientes, incompletos. Mesmo quando estamos a fazer o nosso caminho, ao nosso ritmo, começamos a duvidar.

O problema não está em olhar para os outros.
Está em esquecer-nos de olhar para nós.

Cada vida tem o seu tempo. O seu contexto. As suas dificuldades invisíveis. Mas isso raramente aparece.

E, no meio de tantas referências externas, perdemos a ligação com a nossa própria realidade.

Talvez o verdadeiro desafio seja este:
viver sem transformar a vida numa comparação permanente.

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