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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

A saudade do que nunca aconteceu

Há um tipo de saudade difícil de explicar.

Não vem de algo que vivemos, mas de algo que nunca chegou a acontecer.

É uma ausência sem memória concreta, um vazio sem história definida. Sentimos falta de momentos que imaginámos, de caminhos que nunca seguimos, de versões de nós que nunca chegaram a existir. É como se carregássemos dentro de nós uma vida paralela que ficou por viver.

Esta saudade não tem fotografias, nem datas, nem provas. Existe apenas como sensação. Surge em silêncio, em momentos inesperados, quando pensamos no que poderia ter sido. Não é arrependimento — é algo mais subtil. É consciência de possibilidades não vividas.

Vivemos constantemente a escolher. E cada escolha implica deixar algo para trás. Mas raramente pensamos no impacto dessas ausências. No conjunto de vidas que não vivemos por termos escolhido apenas uma.

Há encontros que nunca aconteceram. Palavras que nunca foram ditas. Decisões que nunca tivemos coragem de tomar. E, ainda assim, tudo isso deixa marca.

Esta saudade pode ser pesada, mas também revela algo importante: a nossa capacidade de imaginar, de desejar, de projetar. Mostra-nos que há mais dentro de nós do que aquilo que vivemos. Há potencial, caminhos, versões alternativas.

Talvez não possamos viver tudo. Talvez nunca possamos ser todas as pessoas que poderíamos ter sido. Mas reconhecer essa saudade é também reconhecer a profundidade da nossa existência.

No fundo, não sentimos apenas falta do que tivemos.
Sentimos também falta do que nunca fomos.

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