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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

A pressa de viver está a impedir-nos de viver

 Nunca tivemos tanto acesso ao tempo — e nunca vivemos com tanta pressa.

Corremos de tarefa em tarefa, de objetivo em objetivo, como se houvesse sempre algo mais importante à frente. Vivemos projetados no próximo momento, no próximo dia, na próxima conquista. E, enquanto isso, o presente passa despercebido.

A pressa tornou-se um modo de vida.

Mas o problema da pressa é que não permite sentir. Não permite observar, nem refletir, nem estar verdadeiramente presente. Tudo acontece rápido demais para ser vivido com profundidade.

Comemos sem saborear. Falamos sem escutar. Vivemos sem realmente estar.

Há uma constante sensação de urgência, mesmo quando não há urgência real. Como se parar fosse perder tempo. Como se abrandar fosse ficar para trás.

Mas viver não é chegar mais rápido.
É estar onde estamos.

A pressa pode ser uma forma de evitar. Evitar pensar, evitar sentir, evitar confrontar aquilo que nos incomoda. Enquanto estamos ocupados, não precisamos de olhar para dentro.

Mas essa fuga tem um custo.

Perdemos momentos simples. Pequenos detalhes. Sensações que não se repetem. Perdemos, muitas vezes, a própria experiência de viver.

Talvez o verdadeiro desafio não seja fazer mais, mas viver melhor o que já temos. Dar atenção ao que é simples, ao que é presente, ao que é real.

Porque o tempo não abranda por nós.

E se continuarmos assim, podemos chegar onde queremos… sem nunca termos estado verdadeiramente lá.

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