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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

Porque a noite nos faz sentir mais

Há algo na noite que muda tudo.

Durante o dia, estamos ocupados. Distraídos. Rodeados de estímulos, tarefas, pessoas. A atenção está voltada para fora. Para aquilo que temos de fazer, resolver, cumprir.

Mas, quando a noite chega, o ritmo abranda.

O mundo silencia-se.

E é nesse silêncio que algo acontece.

Sentimos mais.

Não necessariamente porque a noite cria emoções novas, mas porque deixa espaço para aquelas que já estavam dentro de nós. Durante o dia, muitas delas passam despercebidas. São ignoradas, adiadas, empurradas para segundo plano.

Mas à noite, tornam-se mais claras.

Mais presentes.

Talvez porque já não há distrações suficientes para as esconder.

A mente desacelera. O ambiente acalma. E, de repente, pensamentos e sentimentos que estavam dispersos começam a ganhar forma.

Revisitamos momentos. Recordamos palavras. Pensamos em decisões. Questionamos caminhos.

E tudo parece mais intenso.

A noite tem essa capacidade.

Amplifica o que sentimos.

Aquilo que durante o dia parecia pequeno, à noite pode ganhar peso. Aquilo que parecia resolvido pode voltar. Aquilo que estava esquecido pode surgir novamente.

Não porque a noite seja mais pesada.

Mas porque é mais honesta.

Durante o dia, conseguimos fugir de nós próprios com alguma facilidade. À noite, isso torna-se mais difícil.

E isso pode ser desconfortável.

Mas também pode ser necessário.

Porque é nesse espaço que nos ouvimos verdadeiramente. Que percebemos o que nos inquieta, o que nos falta, o que precisamos.

A noite não traz respostas prontas.

Mas traz perguntas importantes.

E, muitas vezes, é a partir dessas perguntas que começamos a compreender melhor o nosso interior.

Talvez seja por isso que há noites em que pensamos demais, sentimos mais, recordamos mais.

Não é apenas insónia.

É contacto.

Contacto connosco próprios.

E, embora nem sempre seja fácil, pode ser essencial.

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