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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

O Tempo das Palavras

 No tempo das palavras não existe contagem — existe apenas passado, presente e futuro, de acordo com aquilo que desejamos expressar.

Damos vida, no presente, ao que já se passou… e ao que ainda poderá acontecer.

Corremos numa corrida imaginária, trilhada pela nossa mente, com rumo incerto. A única certeza são as palavras que encontramos para expressar o momento em que transbordamos de emoção e sentimento.

O que sentimos é prioritário no tempo. E, por isso, deve ter primazia sobre tudo o resto.

Damos prioridade às emoções — quer abundem, quer escasseiem.

Na corrida da vida, precisamos de parar. Escutar. Refletir. E, por meio da escrita, dar forma à nossa criatividade.

Mantemos a sobriedade do momento pela qualidade daquilo que escrevemos. Procuramos as imagens certas para definir o indescritível. Desenhamos contornos para dar forma ao que sentimos, como se pintássemos um quadro em branco, aberto às mais variadas interpretações.

Descrevemos o mundo através de uma lente reduzida, ajustando a escala às nossas emoções e enquadrando-as em padrões que consigamos compreender.

Fazemos um esforço constante para organizar o tempo de acordo com aquilo que julgamos necessário para a nossa harmonia interior. Procuramos proteger-nos de um exterior que, por vezes, sentimos poder influenciar negativamente a nossa forma de pensar — reduzindo a nossa criatividade à repetição do que já existe.

Mas somos únicos.

Na nossa identidade.
Na nossa forma de sentir.
Na nossa forma de escrever.

E qualquer influência que condicione o nosso pensamento traz consigo consequências na forma como vemos o mundo — e isso reflete-se inevitavelmente na nossa escrita.

Queremos continuar a ser únicos. Originais. A escrever em nome próprio.

Porque somos humanos — com defeitos, mas também com uma enorme capacidade criativa.

Temos tempo.

Tempo para expressar.
Tempo para sentir.
Tempo para criar — com liberdade.

Temos tempo para viver aquilo que imaginamos…
e para imaginar aquilo que queremos viver.

É assim que a vida se torna uma experiência única.

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