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Apresentados

Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós?

Nem todos os livros são terminados. Alguns ficam a meio. Abandonados numa página qualquer, num capítulo que nunca voltamos a abrir. Ficam ali, como se estivessem em pausa, à espera de um momento que talvez nunca chegue. E isso levanta uma questão interessante: Os livros que não terminamos dizem algo sobre nós? À primeira vista, pode parecer apenas uma questão de gosto. O livro não cativou, não era o momento certo, não correspondeu às expectativas. E, muitas vezes, é exatamente isso. Mas, por vezes, há algo mais. Há livros que não conseguimos terminar não porque são maus, mas porque não estamos preparados para eles. Não naquele momento. Não naquela fase da vida. A leitura é um encontro. Entre o livro e o leitor. E esse encontro depende de vários fatores: o estado emocional, o momento pessoal, a maturidade, a disponibilidade interior. Um mesmo livro pode ter impactos completamente diferentes em momentos distintos da vida. O que hoje não faz sentido, amanhã pode tornar-se essen...

A necessidade de validação digital

Publicamos, partilhamos, mostramos.

E depois esperamos.

Esperamos por reações, por respostas, por sinais de validação. Um gosto, um comentário, uma visualização. Pequenos indicadores que confirmam algo maior: que fomos vistos.

A validação digital tornou-se parte do nosso comportamento.

Não de forma consciente, mas progressiva. Começamos por partilhar. Depois passamos a observar a reação. E, com o tempo, essa reação ganha importância.

O problema não está em querer ser reconhecido.
Isso é humano.

O problema surge quando a nossa perceção de valor começa a depender disso.

Quando aquilo que sentimos sobre nós próprios passa a ser influenciado por métricas externas. Quando o silêncio dos outros é interpretado como ausência de valor.

A validação digital é rápida, mas superficial.

E, quando nos habituamos a ela, tudo o resto parece insuficiente.

Talvez o maior desafio seja este:
continuar a ser quem somos… mesmo quando ninguém está a ver.

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