Quando um livro nos entende melhor do que as pessoas
Há momentos em que um livro nos entende melhor do que as pessoas. Não porque as pessoas não queiram ouvir, mas porque nem sempre sabem como escutar. Um livro, pelo contrário, não interrompe, não julga, não apressa. Está ali, disponível, à espera de ser aberto, pronto para receber aquilo que levamos connosco. Quando lemos, não precisamos de explicar quem somos ou o que sentimos. As palavras já estão lá, escritas por alguém que, mesmo sem nos conhecer, parece ter passado pelo mesmo lugar interior. É como se aquele texto tivesse sido escrito para nós, naquele exato momento da nossa vida. E isso cria uma sensação rara: a de sermos compreendidos sem termos de nos expor. As pessoas escutam a partir das suas próprias experiências, dos seus limites, das suas emoções. Muitas vezes querem ajudar, mas acabam por traduzir o que dizemos à luz do que viveram. Um livro não faz isso. Um livro limita-se a dizer. E, nesse dizer, deixa espaço para que sejamos nós a encontrar o significado. A comp...